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História
da Grande Cecília e os Scliar |
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Bairro
Cecília e a Sesmaria de Santana
• Essa sesmaria (na qual integrava também toda
a região da Cecília) teria uma área aproximada
de 14.000 hectares. Essa concessão foi confirmada por
carta Régia de 23/01/1744 e registrada a 11 dezembro
desse mesmo ano, no Livro de Ofícios e Mercês de
Lisboa no Porto de Viamão, visada a 20 de julho de 1754
pelo Governador, conde de Bobadela, General Gomes Freire de
Andrade. |
Carta
Régia - 1754 |
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O
Morro Santana
• Figura como uma referência geográfica O
Morro Santana demarcava os limites da sesmaria que pertenceu
primeiramente a Jerônimo de Ornelas e, posteriormente,
a Inácio Francisco. Em segundo, por ter abrigado a sede
da estância de Santana, local onde residiram os dois primeiros
proprietários dessa sesmaria.
O
primeiro Dono das Terras
• Em 1732 Jerônimo de Ornelas Menezes e Vasconcelos
estabelece -se no Porto de Viamão. O local escolhido
para construir a sede de sua sesmaria foi o MORRO SANTA ANA
(ou Santana). Jerônimo de Ornelas mudou-se para Guaratinguetá,
São Paulo, onde contraiu núpcias em 1723, com
dona Lucrécia Leme Barbosa, nascida nesta mesma cidade.
O casal teve dez filhos, mas todos os descendentes legítimos
são-no por linha feminina, uma vez que eram oito filhas
que casaram e dois filhos que faleceram solteiros.
• Diversos pesquisadores afirmam que a sua prole daria
destacada descendência no Rio Grande do Sul. |
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Jerônimo
de Ornelas |
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Limites
da Sesmaria de Santana
• Ao norte, com a fazenda do Ten. Francisco Pinto Bandeira,
tendo como divisa o Rio Gravatai; Ao sul, com as terras de Sebastião
Francisco Chaves, tendo como divisa o Rio Jacareí (mais
tarde chamado Arroio Dilúvio); A Oeste, as praias do
Rio Grande (conhecido na época como Igahiba ou Lagoa
de Viamão, hoje Rio Guaiba) e a Leste, com as terras
de Francisco Xavier da Azambuja, tendo como divisa o atual Arroio
Feijó e seu afluente mais tarde conhecido por Arroio
Dornelles, incluindo todo o Morro Santana. |
A
primeira casa dos Ornelas |
| Bairro
Cecília e Santa Isabel - Rural e Urbana
• Grande parte desta sesmaria (ou fazenda) estava assentada
no local onde encontramos e envolvia toda a Grande Santa Isabel
e Grande Cecília de hoje. Podemos comprovar esta informação
através da investigação de SÍTIOS
ARQUEOLÓGICOS encontrados e pesquisados na Santa Isabel,
ou seja, existem provas materiais e concretas desta ocupação
humana iniciada por Jerônimo de Ornelas.
• Uma organização agrária que secularmente
veio se alterando nos seus limites e dimensões. A partir
de uma primeira grande estância (a de Ornelas), com a
desapropriação desta, vieram outros donos que
a partiam, dividiam (e vendiam) em diversas fazendas menores,
sem mudar a característica principal: o uso da terra
para o desenvolvimento de culturas agrárias, criação
de animais. O processo de fragmentação da terra
continua com a transformação das fazendas em chácaras
de no máximo 30 hectares a seguir em pequenos "TAMBOS"
leite, em chácaras, sítios e finalmente os lotreamentos
urbanos na década de 40/50. Esta fragmentação
é um fenômeno que podemos contatar até os
dias de hoje! (aqui cabe uma reflexão do arquiteto Escobar
sobre este fenômeno urbano)!. |
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Mapa
da Sermaria |
Um
dos núcleos mais tradicionais de Viamão, permanece
intocado em sua mítica: muitas pessoas e a maioria dos
moradores não sabem que o nome correto do local é
Cecília e não Santa Cecília, talvez por
analogia à Santa Isabel. Mas é raro encontrar
um ceciliense que saiba de onde vem o nome deste
importante pólo político e econômico que
se destaca a cada dia. |
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O
nome é uma homenagem à Cecília Scliar,
esposa de Henrique Scliar, que por volta da metade do século
passado resolveu lotear seu imóvel rural, dando início
à expansão urbana da região.
Judeu russo, Henrique Scliar fugira para o Brasil diante das
perseguições aos judeus na Revolução
Bolchevique de 1917. Radicado em Porto Alegre, mantinha amizade
com intelectuais e políticos de esquerda e usava a chácara
para reunir e receber amigos. Deste modo, a propriedade adquirida
com um prêmio da loteria, acabou servindo de abrigo para
as férias de Jorge Amado e Zélia Gattai,
quando o escritor era deputado federal pelo PC do B, na segunda
metade da década de 1940, fato registrado pela esposa
do escritor em seu livro Um chapéu para viagem.
Naquela
época, a chácara do seu Henrique era
apenas uma casa de campo aonde amigos da família vinham
passar o fim de semana. Entre os hóspedes ilustres estavam
Érico Veríssimo, Vasco Prado, Dionélio
Machado, Lila Ripol, entre outros. |
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Moacyr
Scliar, um dos mais renomados escritores brasileiros, apesar
da pouca idade que tinha, lembra com carinho de suas viagens
à chácara do Tio Henrique: Pouca gente sabe,
mas existe, em Viamão, um lugar muito ligado à
história da cultura no RS. Trata-se da Vila Cecília.
Nos anos quarenta, esta região era uma chácara,
de propriedade do sr. Henrique Scliar. |
Na
chácara funcionava também um ateliê do Carlos
Scliar, grande artista já falecido, filho do tio Henrique.
Quando Carlos mudou-se para o Rio de Janeiro resolveu desmontar
o ateliê. Fui ajudá-lo e lembro da quantidade de
quadros e desenhos que ele rasgou, por considerá-los
superados (hoje figurariam em qualquer museu). Com o tempo,
entretanto, não foi mais possível manter a propriedade,
e o tio Henrique teve de loteá-la. Mas a lembrança
permanece. |
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Trecho
do livro Um chapéu para viagem,
de Zélia Gattai, 1982:
A chácara do seu Henrique não tinha fruta
de espécie alguma, mas era encantadora. A casa rústica,
construída numa pequena elevação, dava
sobre um bosque; ao lado, antes de entrar na mata cerrada, havia
uma piscina natural, toda de pedras, transbordante de água
cristalina provinda de uma nascente... |
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Era começo de semana e passamos, os dois sozinhos, dias
inesquecíveis, deitados em redes sob os arvoredos, banhando-nos
na piscina, fugindo ao sufocante calor do tórrido verão
gaúcho.Uma empregada nos servia, e, ao meio-dia em ponto,
chegava um carro trazendo-nos almoço e jantar e os jornais.
Tão próximos da cidade e, no entanto, estávamos
em plena selva, longe da civilização...
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