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Os
Schönwald e a Chácara das Rosas
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"Em
1931, quando dois "alemães" provenientes de
Porto Alegre chegaram ao que seria, algumas décadas depois,
a Vila Cecília, foram chamados de loucos, pois a terra
que eles haviam adquirido para implantação da
"Chácara das Rosas" - plantação
de rosas e mudas de árvores frutíferas - era uma
terra muito pobre, "não nascia nem guanxuma"
- dizia o solidário vizinho João Barulho, que
de começo lhes emprestou uma junta de bois com arado
para que preparassem a terra para o plantio. Do João
Barulho, também compravam esterco para usar como adubo
orgânico para melhorar a terra, o que causava grande estranheza
nos vizinhos." |
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Os
alemães eram Fritz e Kurt, filhos de Paul Schönwald
e sobrinhos de Otto Schönwald, o primeiro, professor de
piano (o instrumento usado por Paul hoje faz parte do acervo
do Museu de Hamburgo Velho), e o segundo grande pioneiro da
fotografia no Rio Grande do Sul.
Os irmãos tinham como objetivo recuperar a terra da chácara
e iniciar o plantio das mudas, e tinham experiência para
tanto: antes de começar o projeto, fizeram estágios
em empresas-modelo na Argentina, de onde adquiriram todo o conhecimento
necessário para continuar a empreitada da Chácara
das Rosas, e é nessa parte da história que entra
o vizinho João do Barulho.
Quando Fritz e Kurt compraram as terras da propriedade, todos
os chamaram de loucos, pois acreditavam que a terra era improdutiva
e inútil, "não nascia nem guanxuma"
naquelas terras, segundo João. No começo do empreendimento,
os irmãos contavam com a ajuda do vizinho, mas logo isso
não seria mais necessário. |
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| No
ano de 1933, lançaram seu primeiro catálogo impresso,
apresentando seus produtos, ação que demonstrou
arrojo e modernidade para os padrões de "marketing"
vigentes na época.
A Segunda Guerra Mundial estourou quando a chácara dava
seus primeiros rendimentos. Apesar da identidade com a terra
e a língua natal, os irmãos não compactuavam
com as ideologias de Adolf Hitler, e desprezavam tudo que representava
o Nazismo. A apreensão com o destino de seus parentes
e amigos e com o futuro de seu país de origem os deixava
muito apreensivos. |
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A
Chácara tinha sua própria geração
de energia, que era fornecida por um cata-ventos instalado em
uma torre de 16 metros de altura, que alimentava baterias que
abasteciam a propriedade com 22 volts. Quando o vento era forte
o suficiente, era possível, além de acender algumas
lâmpadas, também ouvir rádio e ter notícias
da guerra que era travada no velho continente.
Frederico Rodolfo, o Rudi, filho de Fritz, lembra que, em função
da guerra que ocorria na Europa, regularmente faziam pacotes
com alimentos não perecíveis e mandavam, através
da Cruz Vermelha, para seus parentes na Alemanha. |
Em
função dos efeitos devastadores que a Segunda
Guerra causou na população da Europa, mesmo após
o seu fim era necessário que a ajuda que saía
da Vila Cecília para a Alemanha continuasse por mais
algum tempo. Alguns anos depois, a família ficou sabendo
que aquela providência de mandar alimentos para os parentes
na Alemanha havia sido determinante para a sobrevivência
dos mesmos. Rudi também relata que, apesar de ouvirem
falar de discriminações e revanchismos durante
e depois da guerra, os Schönwald nada sentiram, pois estavam
completamente integrados à comunidade na qual viviam. |
| Kurt
ficou na sociedade com o irmão durante 10 anos, até
montar sua própria empresa em 1951, a "Roselândia",
que de tão importante é, hoje, o nome de um bairro
no Vale dos Sinos.
Aos 21 anos Rudi, o filho de Fritz, assumiu a administração
da "Schönwald Floricultura e Fruticultura", e
no final dos anos 50 a entrega de rosas nas lojas e floristas
de Porto Alegre já era feita por um Caminhão Austin
1951, no lugar de uma carroça que levava muitas horas
de viagem da Cecília até a capital.
No começo anos 60 a empresa era uma das maiores produtoras
de rosas do Rio Grande do Sul. Com o sucesso no mercado interno,
era possível alçar vôos mais altos. Foi
através da companhia de aviação "Panair"
e do uso do teletipo da companhia que a chácara conseguia
exportar suas rosas para a Europa. As exportações,
apesar da exposição da empresa nos jornais da
época, não era muito lucrativa. O objetivo era,
na realidade, abrir caminho para futuros negócios no
Velho Mundo. |
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Num
dia de sol de 1964, um comboio de carros oficiais "invadiu"
a chácara. Era o governador do Estado da Guanabara (hoje
cidade do Rio de Janeiro) Carlos Lacerda que vinha com sua comitiva
adquirir muda de rosas para levar para sua propriedade. As rosas
eram a sua paixão e Lacerda fez uma grande compra. Episódio
que ficaria marcado na memória das pessoas das redondezas.
As exportações duraram até a Ditadura Militar,
quando o Presidente Castelo Branco cassou a concessão
da "Panair", e a empresa não pôde mais
operar no país.
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Depois desse fato, Rudi Schönwald tentou formar uma associação
com seus colegas produtores, para reativar as exportações,
agora através da Varig, mas a falta de entusiasmo dos
produtores o obrigou a abandonar de vez o projeto e se dedicar
ao mercado interno. |
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A
empresa operou até 1982, quando boa parte das terras
da chácara se transformaria no loteamento Jardim Schönwald,
que hoje faz parte da Grande Cecília.
Para se ter noção da importância cultural
que a Chácara das Rosas teve para o município
de Viamão, Henrique Scliar, tio do escritor e imortal
da Academia Brasileira de Letras Moacyr Scliar e pai do renomado
artista plástico Carlos Scliar, possuía uma chácara
ali perto (hoje, a chácara se transformou em região
urbana e passou a se chamar “Vila Cecília”,
em homenagem a sua esposa), e era amigo dos irmãos Schönwald.
Sempre que passava por ali, parava para conversar e levar uma
cesta de frutas para sua chácara. |
| Pesquisa:
Paulo Lilja - Texto: Vanessa Freitas |
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